Após desistir de cursar medicina, bióloga se dedica à paixão pelos animais

- Alexandre Pingo - - 29 de agosto de 2017 | - 11:31 - - Home » Educação - - Sem Comentários

Fabiana André Padilha, de 32 anos, sonhava em ser médica. Passou no vestibular para medicina de uma universidade pública, mas empatou com outra candidata e perdeu a vaga quando chegou na idade como critério de desempate. Ela era mais jovem do que a concorrente.

“Confesso que fiquei desgostosa, mas sempre tive esse gosto por cuidar e investigar. No colégio um professor virou pra mim e disse que eu daria uma ótima bióloga. Eu pensei: será? E hoje sou extremamente apaixonada pela biologia é o que eu realmente amo. Faria de novo”, diz.

Fabiana é uma das 40 biólogas que atuam no Aquário de São Paulo, na Zona Sul, que abriga mais de 100 espécies de animais, incluindo um casal de urso polar. Ela é responsável pelo setor de mamíferos terrestres. Cuida dos recintos, elabora dietas e promove o bem-estar dos bichos. Aliás, todos eles têm nomes.

Quando a reportagem do G1 esteve no aquário, Fabiana estava pesando os coalas. As imagens só puderam ser feitas do lado de fora do recinto para não estressar os animais que passam a maior parte do dia dormindo e cheiram a eucalipto, segundo relatos. As regras para o manejo dos bichos são rígidas. No espaço dos cangurus, Fabiana só pôde ser acompanhada por uma pessoa quando foi alimentá-los no período da entrevista.

A bióloga diz que adoraria cuidar os animais em seu habitat, e que espaços como zoológicos ou aquários deixassem de existir em função da degradação do meio ambiente. “Mas infelizmente algumas espécies entraram em extinção, e é o trabalho dessas pessoas que fazem com que sejam conservadas.” Ela lembra que já passou muitas madrugadas cuidando de filhotes que foram resgatados.

“Já perdi as contas de quantas noites passei em claro dando de mamá para uma lontra porque teve alguém que matou sua mãe. Os pinguins que vieram para cá estavam totalmente sujos de óleo. Limpamos pena por pena. Eles eram filhotes tinham de alimentar de duas em duas horas.”

Fabiana André tem como uma das funções pesar os coalas do Aquário de SP (Foto: Fabio Tito/ G1)

Fabiana André tem como uma das funções pesar os coalas do Aquário de SP (Foto: Fabio Tito/ G1)

 

Mais de 50 áreas de atuação

O mercado para os biólogos não está restrito somente ao trato com os animais. Os profissionais possuem mais de 50 áreas de atuação, segundo o Conselho Federal de Biologia.

A desvantagem da formação generalista é que ela abre espaço para competição com outras carreiras, como biomedicina ou gestão ambiental. “Inicialmente essas duas áreas eram de um biólogo. Hoje num laboratório um biólogo pode perder vaga para um biomédico.”

Por isso, a dica de Fabiana é de não parar de estudar após a graduação. “Bio significa vida, esta é a profissão de investigar a vida em todas as suas vertentes. Estudar só o período da graduação não é suficiente. Como o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, é necessário continuar.”

Fabiana alimenta os cangurus, ela é responsável pelos mamíferos terrestres do espaço (Foto: Fabio Tito/ G1)

Fabiana alimenta os cangurus, ela é responsável pelos mamíferos terrestres do espaço (Foto: Fabio Tito/ G1)

 

‘É preciso paixão e não desistir dos sonhos’

A dica de Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para ser um bom profissional é paixão e persistência. “A pessoa para ter empregabilidade precisa estudar, tem de correr atrás. A área de biologia infelizmente é restrita, mas o que fazem com paixão conseguem um lugar ao sol. Diferente do médico que não fica desempregado, mesmo sendo péssimo, na biologia não há mercado para todos.”

É de Marcelo Szpilman a concepção, direção e responsabilidade técnica do AquaRio, o maior aquário marinho da América do Sul, inaugurado em outubro de 2015, no Rio de Janeiro .

O AquaRio possui uma área construída de 26 mil metros quadrados, com um circuito de 28 tanques que abrigam peixes da costa brasileira, do Caribe e do Indo-Pacífico. Ao todo, são 4,5 milhões de litros de água salgada e cerca de 3 mil animais de 350 espécies diferentes.

Autor de cinco livros, sobre tubarões e peixes marinhos, o biólogo criou há 22 anos o Instituto Ecológico Aqualung, uma ONG que atua em defesa da preservação do meio ambiente marinho. Szpilman afirma que os jovens precisam ter paciência para colher os frutos da profissão, nem sempre rápidos.

Fonte: G1

Enium Soluções Digitais
Colégio Atena

Deixe seu comentário!

Para: Após desistir de cursar medicina, bióloga se dedica à paixão pelos animais

Deixe uma resposta