Aprovado em 3 universidades do Brasil e 4 dos EUA diz: ‘quase desisti’

- Alexandre Pingo - - 31 de março de 2017 | - 10:20 - - Home » Educação - - Sem Comentários

O jovem de 18 anos Matheus Carvalho, de Uberaba, pode ser considerado um garoto prodígio. Estudando como bolsista em uma escola particular da cidade, ele terminou o ensino médio no ano passado e, com muito esforço e dedicação, foi aprovado em sete universidades: três públicas no Brasil e quatro nos Estados Unidos. O maior sonho dele é se formar em Ciência da Computação fora do país.

Enquanto o sonho não chega ele não pode perder o pique dos estudos, por isso começou a cursar a graduação na Universidade de São Paulo (USP) no campus em São Carlos (SP), a 271 km de Uberaba. Para conseguir alcançar o objetivo, além do apoio da família, o jovem contou com a ajuda de um escritório de informações sobre estudos nos Estados Unidos.

Matheus é filho da dona de casa Alessandra Carvalho e do representante comercial Giovanni Abadio e tem dois irmãos, de dez e 12 anos. Foi no quarto, na casa da família, no Bairro Costa Teles 2, que o jovem passou os últimos quatro anos estudando, fazendo simulados e pesquisando. Às vezes, os pais até reclamavam e chamavam a atenção de Matheus, pois achavam que ele estava exagerando em ficar muito tempo entre livros e cadernos.

“Tinha dias que eu ficava até tarde estudando e eles falavam para eu parar, porque eu precisava descansar um pouco, comer. Quando as provas se aproximavam, eu ficava estudando muito e acabava madrugando. Eu mesmo percebi que estava me atrapalhando em alguns sentidos”, admitiu o universitário.

Quando estava no 8º ano do ensino fundamental, Matheus iniciou os estudos em inglês com bolsa parcial. No 2º ano do ensino médio ele começou a se preparar e pensar sobre o que queria do futuro.

Vendo o interesse do estudante, a orientadora do curso de inglês de Matheus contou a ele sobre o programa “Oportunidades Acadêmicas” do escritório EducationUSA, onde teria a possibilidade de conseguir um acesso às universidades americanas. Em 2016, Matheus visitou a Feira de Universidades Americanas em São Paulo e ficou empolgado com as informações sobre o programa de estudos.

De acordo com a mãe dele, em uma seleção de quatro mil estudantes para conseguir uma bolsa na EducationUSA, foi o único no estado de Minas Gerais. Todas as despesas com certificação, preparação para entrevistas, tradução e envio de documentos às universidades, ficou por conta do escritório.

Desafios
Matheus, que tem inglês fluente, tirou a Certificação TOEFL (Test of English as a Foreign Language – Teste de Inglês como Língua Estrangeira) e teve que fazer diversas provas. Mas conciliar a rotina de estudos do 3º ano para os vestibulares, além das diferenças culturais para uma prova americana, o fez se questionar algumas vezes se era mesmo um sonho possível.

“Tiveram momentos antes das provas de lá que eu ficava muito desesperado por causa do conteúdo e não sabia como reagir. Então, eu pensava em desistir, mas aí eu pensava novamente que era algo bom e que era algo que eu gostaria de fazer, apesar de ser difícil”, revelou.

No fim de 2016, com toda a documentação pronta, ele enfrentou mais um desafio: o envio dos papéis às universidades americanas para aprovação. Mandou para 10 e recebeu a resposta positiva de quatro: Rochester Institute of Technology (Rochester), University of Dallas (Texas), Temple University e Syracuse University.

“Foi muito gratificante. Ficamos muito emocionados vendo a felicidade dele. Ele se dedicou muito para isto. Passou noites estudando, fez provas, redações. A gente vê toda a dedicação dele. Com tudo isto, quando foi chegando os resultados, a gente foi só sentido mais orgulho muito grande dele”, comentou Alessandra, mãe de Matheus.

Na Rochester, Matheus conseguiu uma bolsa anual de US$ 15 mil, porém o valor não cobre toda a mensalidade e nem as despesas com acomodação e alimentação.

Nesta universidade, ele tem a possibilidade de fazer Engenharia da Computação e Ciência da Computação. Mas a confiança está na Universidade de Dallas, onde o jovem tem uma bolsa quase que integral. Matheus está apto a estudar nestas universidades, mas só poderá ir se realmente conseguir bolsa integral, pois a família não tem condições de mantê-lo nos Estados Unidos.

“O que falta saber é a questão financeira. Preciso pedir para as universidades que fui aceito mais bolsa para que eu possa me manter lá. Meu sonho é me graduar lá, talvez ir para outra universidade e ir fazer pós-graduação e, depois disso, começar a trabalhar em uma empresa, algo assim”, disse o estudante.

Determinado, ele conta que aprendeu a fazer programação e criar programas de computador sozinho. Quando não está estudando, está jogando videogame, ouvindo música ou assistindo séries – tudo em inglês, para praticar o idioma. Ele também diz que sai com amigos, mas que o objetivo é grande e ele está bem focado.

“Ele sempre vinha trazendo resultados para nós. E eu sempre falava para ele nunca desistir: ‘Se você colocou isso como sua meta de vida, corra atrás. Hoje, os sonhos são possíveis para todos’”, relembrou o pai Giovanno.

O processo de aprovação
Janaina Amaro é a diretora da escola particular onde Matheus fez o curso de inglês. Segundo ela, o jovem chegou à instituição há quatro anos sem falar nada do idioma. A orientadora do escritório EducationUSA, Frances Zarnitzky, que também é professora na escola, enxergou a potencialidade dele e passou a incentivá-lo porque ele tinha todo perfil de conseguir.

Desde o começo Frances ajudou Matheus a se preparar para todos os testes para entrar no programa “Oportunidades Acadêmicas”, que tem um processo pelo qual o jovem faz a aplicação e, conseguindo, ele faz inscrição enviando um vídeo de um minuto e meio em inglês falando porquê ele tem vontade de estudar nos Estados Unidos. Mais de quatro mil alunos do país se todo se inscreveram; 21 passaram e Matheus foi um deles.

“Ele fez todas as provas, viajou para Brasília, São Paulo, teve excelência em todas as notas. Depois disso, a orientadora o ajudou a fazer as aplicações para as universidades. Ela traduziu todos os documentos e todos foram juramentados por já ser do escritório EducationUSA. Este trabalho, como foi feito com o Matheus pelo escritório, não é somente para os alunos do ICBEU, é para a comunidade em geral”, explicou.

Janaina ainda revela que Matheus era muito tímido quando começou a fazer o curso na escola, mas melhorou ao longo do tempo. “Quando chegou à escola de inglês a mãe dele contou que ele sofria bullying por causa da inteligência e por aprender tudo muito rápido. Fizemos um trabalho com ele em relação a isso. Ele foi se soltando aos poucos e melhorando. Não adianta o jovem ser inteligente e não conseguir conversar com outras pessoas, principalmente as de fora”, avaliou a diretora.

Sobre a ajuda em sonho de mais um aluno, Janaina diz que é algo gratificante. “É como se a gente tivesse indo estudar com ele também”, acrescentou.

Fonte: G1

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