Como a Coreia do Norte quer usar alta tecnologia para ampliar poder e reestruturar economia

- Alexandre Pingo - - 27 de dezembro de 2018 | - 2:48 - - Home » Tecnologia - - Sem Comentários

Coreia do Norte costuma ostentar seu aparato militar. Mas ultimamente está progredindo em tecnologias civis, segundo a versão oficial norte-coreana.

Como sempre, é difícil verificar essas afirmações e dimensionar as reais limitações tecnológicas de um país fechado e sob sanções internacionais, mas é significativo notar a importância que o país tem dado à tecnologia. A ênfase nesse setor reflete o desejo da Coreia do Norte de desenvolver tecnologia para melhorar sua economia – um objetivo-chave para o líder supremo Kim Jong-un.

Em meses recentes, a mídia estatal tem celebrado publicamente várias conquistas em tecnologias avançadas, inclusive um sistema de casa inteligente.

Domínio tecnológico

Um dos últimos projetos tecnológicos é um novo serviço de wi-fi chamado Mirae, que permite aparelhos móveis acessarem a rede de internet estatal na capital, Pyongyang.

O serviço foi exibido no canal estatal Korean Central Television no dia 8 de novembro.

O site americano de monitoramento da Coreia do Norte, 38North, notou que essa foi a primeira vez que um serviço de wi-fi “outdoor” foi mencionado na mídia norte-coreana.

Outro aparelho exibido na ocasião foi um sistema de casa inteligente, por meio de voz, que opera aparelhos eletrônicos como ventiladores, ar-condicionado, televisores e luminárias.

O sistema foi desenvolvido pela Universidade Kim Il-sung, que parece estar à frente dos esforços do país nesse segmento.

DPRK Today, um site de propaganda, divulgou no dia 21 de novembro que pesquisadores da universidade haviam desenvolvido diversos sistemas de inteligência artificial, inclusive um programa de reconhecimento de língua coreana.

Um artigo publicado no jornal do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, o Rodong Sinmun, diz que o Instituto de Tecnologia da universidade está “com uma ardente ambição de supremacia na área de inteligência artificial… E quer contribuir para o desenvolvimento da indústria de tecnologia de inteligência artificial no país”.

Martyn Williams, do blog North Korea Tech, disse à BBC que os serviços citados na mídia norte-coreana “são reais e aparentam estar sendo usados pelas pessoas em Pyongyang, ao menos”.

“A Coreia do Norte tem, sim, engenheiros de software e sistema talentosos, então os aparatos destacados nos relatórios devem ser reais.”

‘Quarta Revolução Industrial’

A força motora por trás dos investimentos de tecnologia parecem, segundo os relatos internos na Coreia do Norte, estar reestruturando a economia e impulsionando o “poder nacional”.

Durante uma reunião do partido em abril, Kim Jong-un disse que ciência e educação deveriam servir como “base de construção estatal e como um importante índice de força nacional”.

Como parte de esforços para criar uma comunidade científica, a Coreia do Norte ofereceu incentivos a cientistas e engenheiros em forma de apartamentos exuberantes e outros privilégios.

Em uma medida incomum, o jornal Rodong Sinmun trouxe publicado um artigo no dia 29 de outubro por Ri Ki-song, um professor do Instituto de Economia na Academia de Ciências Sociais, em que ele dizia que a economia norte-coreana deveria mudar para uma economia baseada em conhecimento e desenvolvimento de tecnologia, nanotecnologia, biotecnlogia e outras tecnologias de ponta de maneira globalmente competitiva.

Um “artigo especial” no mesmo jornal no dia 8 de dezembro disse que a economia norte-coreana está “se desenvolvendo uma direção mais inovadora que nunca” e vai “priorizar o desenvolvimento de ciência e tecnologia”.

Mas o país tem essa capacidade?

A Coreia do Norte está a caminho de virar uma uma poderosa nação de inovação?

Diferentemente da Coreia do Sul, o país vizinho não é conhecido por seus avanços tecnológicos, então é preciso algum grau de ceticismo.

“A Coreia do Norte não tem muita força em sua manufatura avançada, então os telefones e computadores que são propagandeados como nacionais normalmente são chineses”, diz William, do blog North Korea Tech.

Em maio de 2018, Tren Micro, uma empresa anti-vírus do Japão, disse que norte-coreanos haviam copiado ilegalmente sua propriedade intelectual ou código-fonte de um anti-vírus.

No ano passado, a mídia norte-coreana usou a marca “iPad”, da Apple, para nomear um tablet desenvolvimento localmente.

“De cópias diretas a imitações mais soltas, até o uso flagrante de marcas famosas internacionalmente como ‘iPad’, a tecnologia norte-coreana é cheia de exemplos de duplicações de produtos feitos no exterior”, escreveu o site NK News em 2017.

As limitações que a Coreia do Norte tem na tecnologia vão além.

Um relatório divulgado pelo Seul Korea Devolopment Bank em 2017 mencinou que a inteligência artificial da Coreia do Norte vai “dar de cara com a parede por causa de recursos financeiros, sua situação econômica e sanções internacionais”.

Mesmo que essas sanções sejam derrubadas, de acordo com Martyn Williams, alguns países e empresas ainda podem querer evitar negócios com a Coreia do Norte porque pode afetar negativamente sua imagem.

Mas ele diz acreditar que grandes investimentos de empresas sul-coreanas são possíveis com “encorajamento governamental”.

Um grupo de autoridades norte-coreanas seniores visitaram o Pangyo Techno Valley, um hub de tecnologia na Coreia do Sul, em novembro, para aprender sobre carros autônomos, impressão 3D, inteligência artificial e tecnologia de games.

Outro obstáculo pode ser a “paranoia” da Coreia do Norte com informações que podem vazar com novas tecnologias.

“A maior esperança do governo norte-coreano é uma abertura gradual que satisfaça a sede das pessoas por informação e melhor qualidade de vida ao mesmo tempo em que controle do país. É um equilíbrio difícil”, afirma Williams, do North Korea Tech.

Fonte: G1

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