Crianças se emocionam ao encontrar pintor que inspirou trabalho escolar: ‘Nenhum dinheiro paga’, diz artista plástico

- Alexandre Pingo - - 14 de novembro de 2018 | - 2:28 - - Home » Educação - - Sem Comentários

O que é arte para você? Na opinião da professora Alessandra de Oliveira, é uma maneira de se expressar, seja no teto da Capela Sistina, em uma tela exposta no Museu do Louvre ou no ateliê do artista plástico Carlos José Gomes (o Casé), localizado no Jardim Simus, em Sorocaba (SP).

Inspirada pelas obras do pintor, a educadora propôs um projeto em homenagem ao Dia da Consciência Negra, lembrado em 20 de novembro, para alunos do segundo ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal “Professora Ana Cecilia Falcato Prado Fontes”, que fica no Conjunto Habitacional Ana Paula Eleutério, o Habiteto.

As crianças, de 7 e 8 anos, aceitaram o desafio de reproduzir algumas das pinturas do artista sobre cultura afrodescendente em sala de aula e, como recompensa, as quatro turmas ganharam uma visita de Casé, na última segunda-feira (12).

“Uma amiga que trabalha na Secretaria de Educação me falou sobre o Casé. Pesquisei nas redes sociais e amei as obras. Quando apresentei para as crianças, elas ficaram animadas e aí tive a ideia de reler alguns dos trabalhos dele em pares. Trabalhamos, além da arte, o preconceito e a desigualdade social”, conta a professora, de 43 anos.

Comoção nas redes sociais

O relato comovente da experiência, publicado pela filha do pintor, a estudante de Psicologia Thayná Tardelli Gomes, de 18 anos, viralizou nas redes sociais. O post já acumulava mais de 40 mil retweets quando a jovem decidiu apagá-lo. “Não estava conseguindo lidar com muita atividade, estava me deixando agoniada”, brinca.

“Meu pai ficou apaixonado pela iniciativa da professora que disponibilizou as melhores pinturas pra professora utilizar em sala de aula. Ela disse que não queria fazer a releitura de um artista como o Van Gogh porque existiam muitos artistas daqui de Sorocaba que mereciam ter mais reconhecimento. E trabalhou com as crianças ao longo desses meses pra presentear meu pai com uma linda homenagem”, diz o post.

Acompanhado de Thayná e do filho mais novo, de 14 anos, Casé distribuiu presentes aos alunos e se emocionou com a receptividade deles. Em cada embrulho havia uma caixa de tinta acrílica com as cinco cores primárias e dois pincéis, tudo doado por uma amiga do pintor, com o objetivo de incentivar futuros artistas.

Depois de cantarem, algumas crianças fizeram uma fila pra abraçar e falar com o meu pai, e teve uma menininha que veio falar pra professora assim ‘Tia, quando ele me abraçou, eu não conseguia respirar de tão feliz’ e gente, os rostinhos deles, a felicidade, sério!“, conta Thayná.

Apesar de assustada com a repercussão que a história ganhou, a estudante ressalta que a internet deve ser usada como uma “ferramenta poderosa” para propagar o bem.

“São crianças que merecem tudo de bom e do melhor do mundo COMO QUALQUER OUTRA CRIANÇA. E o que eu queria dizer pra vocês é que FAZ BEM, e é NECESSÁRIO olhar por outra perspectiva que não seja a do seu umbigo. A situação do país é decadente, o ensino é decadente, mas elas MERECEM UMA CHANCE. E é isso, espero que essa história tenha deixado o coração de vocês quentinho como deixou o meu”, finaliza a publicação.

Responsabilidade

Em entrevista ao G1, Casé contou que é apaixonado pelo mundo das artes plásticas desde pequeno, mas foi só em 1999 que transformou o hobby em uma maneira de ganhar dinheiro, chegando inclusive a ter obras espalhadas pelo país inteiro e até no exterior.

Quando recebeu o convite da professora Alessandra para participar do projeto, o artista plástico, de 51 anos, confessa que ficou surpreso, mas sentiu-se responsável por contribuir com a educação das crianças através da arte.

Nenhum dinheiro no mundo paga o que senti em meu coração com meus dois filhos vendo o que a arte do pai deles foi capaz de realizar. As crianças me abraçavam e me diziam o quanto eu pinto bem ou que gostariam de pintar como eu. Se alguma das 45 crianças se tornar pintora terei ganho o grande prêmio de vir à Terra“, conta.

“Foi uma experiência incrível para acreditar que existe empatia no mundo, que a gente não pode desistir da educação e das pessoas que precisam dessa educação. Foi importante para analisar que os professores são mestres e devem ser respeitados e valorizados”, completa Thayná.

Fonte: G1

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