Em ano olímpico, polo aquático sergipano passou por reestruturação

- Alexandre Pingo - - 22 de dezembro de 2016 | - 11:26 - - Home » Esporte - - Sem Comentários

O polo aquático em Sergipe não vinha em uma boa fase, 2016 tinha tudo para ser um ano para afundar ainda mais a modalidade, principalmente por uma rivalidade muito forte entre os dois clubes do estado, que acabou virando uma grande barreira para o esporte avançar.

No primeiro semestre, só aconteceu uma competição, o Troféu Adasfa, no qual cada atleta doou um quilo de ração. Era pra ter sido o Campeonato Sergipano, mas não deu certo. Além disso, o local principal de treino deles estava sem condições de uso, a piscina do Parque Aquático Zé Peixe. Ela ficou cerca de três meses interditada, mas o espírito olímpico chegou para salvá-la e reerguer a modalidade em Sergipe. Atletas de países como Ucrânia e Polônia vieram à Aracaju para fazer uma aclimatação, já que disputariam em agosto a Olimpíada no Rio de Janeiro. Com isso, a piscina recebeu melhores cuidados.

Experiência única
Nesse meio tempo, a convite da Federação Baiana, a seleção sergipana foi convidada para fazer a preliminar do amistoso entre Brasil e Croácia, as duas treinavam para a Rio 2016 e o técnico da brasileira era croata. Então, na Nova Piscina Olímpica da Bahia, em Salvador, os sergipanos levaram um time unindo atletas do Pólo 90 e do Serigy WP e enfrentaram a seleção baiana. Perderam a partida, mas o que mais importava naquele momento era o primeiro passo para unir os clubes, bem como a honra de poder conhecer os ídolos, bater um papo e tirar várias fotos.

– Pra mim foi um sonho realizado. Conheci a seleção brasileira de polo, os jogadores tiraram foto conosco, conversaram, foi o auge pra mim no polo aquático. Sem contar que tivemos a honra de abrir a partida do Brasil contra a Croácia – conta Hugo Tanilo. 

Polo aquático sergipano (Foto: Arte/GloboEsporte.com)

Seleção sergipana participa de amistoso e tieta seleção brasileira da modalidade (Foto: Arte/GloboEsporte.com)

– Foram só 15 dias de preparação e aqui agradecemos ao Sergipe que nos cedeu o espaço para treinar porque o Zé Peixe estava disponível para os nadadores olímpicos que estavam fazendo  aclimatação em Aracaju. Sem contar que não tivemos atividades no primeiro semestre, porque a piscina estava sem manutenção. Lá em Salvador ainda tivemos uma palestra com o técnico (croata) e toda comissão. Eles mostraram como foi a preparação, todo o ciclo, de 2012 a 2016, pudemos assistir a um treino conjunto destas seleções. Pra mim tudo isso serviu para conhecer novas técnicas de treino, observar uma evolução tática da modalidade – Fernando “Gaúcho” Vieira, capitão do Pólo 90.

Da discórdia à união
E este jogo em Salvador funcionou como o cloro na piscina, ajudou a clarear as ideias dos que fazem o polo em Sergipe, porque um problema antigo da modalidade era um “racha” que havia entre os dois únicos clubes do estado. De um lado o Pólo 90 continuou organizando eventos e o Serigy ficou mais isolado, mal treinava. Depois desse amistoso a rivalidade ficou de lado e prevaleceu a união para que pudessem fortalecer o esporte dali em diante.

– Quando a gente voltou de Salvador, eu sentei com um representante do Serigy, José Alencar (o “Zezinho”), e resolvemos fazer as pazes. Então criamos a Copa União, um torneio com inscrição individual e os times eram sorteados na hora das disputas. Isso ajudou a misturar atletas das duas equipes para acabar com qualquer conflito – explicou Fernando “Gaúcho” Vieira. 

Polo aquático sergipano (Foto: Arte/GloboEsporte.com)

Acima: Serigy e Pólo 90 juntos na Copa União / Abaixo: participação no Circuito Open (Foto: Arte/GloboEsporte.com)

Após esse torneio, eles foram convidados para o Circuito Open de Polo Aquático, equivalente ao Brasileiro de Praia, os jogos eram realizados no mar, na Praia do Forte. O Serigy não teve condições de comparecer, mas o Pólo 90 representou o estado. Neste torneio enfrentaram grandes times da modalidade como Botafogo-RJ, Tijuca-RJ, Brasília, Rio Master, Salvador e Feira de Santana.

– Conseguimos jogar de igual pra igual com quase todos os times e o principal foi jogar no mar. Eu nunca tinha jogado polo assim, é difícil porque depende de muita coisa, condição de tempo, de maré, mas isso que é o legal, é como se estivesse em outro esporte. Por mim, agora nem jogava mais piscina, só sairia do estado para jogar no mar ou em rio – comentou o goleiro João Paulo.

Campeonato Sergipano
E no último final de semana foi realizado o Campeonato Sergipano de polo aquático. Este ano a competição não teve várias etapas, foi disputada em edição única no Parque Aquático Zé Peixe, localizado na Rua Campo do Brito, Bairro Treze de Julho.

A medalha de ouro ficou com o Pólo 90, a de prata com o Serigy e a de bronze com o Pólo 90 sub-23. A equipe campeã ainda teve o artilheiro da competição com 14 gols (Hugo Tanilo) e o goleiro destaque (João Paulo), que menos sofreu gols, apenas 11. Hugo aproveitou para falar um pouco da carreira no esporte que já se encaminha para uma década.

Polo aquático sergipano (Foto: Arte/GloboEsporte.com)

Pólo 90 foi o campeão estadual 2016. No canto direito o artilheiro, Hugo Tanilo, e o goleiro menos vazado, João Paulo (Foto: Arte/GloboEsporte.com)

– Eu jogava em escola, comecei no Dom Luciano. Participei muito de jogos internos, circuito da Federação Aquática, Norte-Nordeste e Jogos Escolares da TV Sergipe, que foi o meu primeiro, fui até campeão. Sempre era o mais novo da equipe, fui convocado para jogar a Liga Nacional aos 17 anos pela seleção sergipana adulta. Isso foi como preparação para o Interfederativo (uma espécie de Norte-Nordeste sub-19), no qual ficamos em terceiro. Já recebi o prêmio de revelação (2008) e seis vezes o de melhor jogador do ano (2009, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014). Através do esporte eu conheci muitos lugares, em vários estados que nunca imaginei que pudesse chegar. Minha evolução foi muito grande e, por isso, espero em 2017 um ano ainda melhor. A quantidade de atletas vai aumentar, principalmente por conta dessa união das equipes, e tudo isso vai ajudar para o esporte crescer. Além da Olimpíada que também ajudou bastante a divulgar mais o polo aquático – relembra o artilheiro do estadual em oito anos de prática da modalidade.

Expectativas para nova temporada
Com esse ano de reconstrução do esporte, agora é pensar no futuro, o momento é de planejar o que pode ser feito em 2017 para que Sergipe volte a ser forte no polo aquático e possa conquistar bons resultados em torneios regionais e nacionais.

– Estamos com muitos projetos. Voltar a disputar a Liga Nacional, fazer um estadual com no mínimo três etapas, realizar pelo menos um torneio em águas abertas, participar de competições fora do estado e, principalmente, incentivar a participação do esporte em torneios escolares –  afirmou o ponta, Alexandre Santos. 

Fonte: GE Sergipe 

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