Em meio à pressão, Unicamp decide sobre aumento em preço das refeições

- Alexandre Pingo - - 3 de outubro de 2017 | - 10:22 - - Home » Educação - - Sem Comentários

A Unicamp retoma nesta terça-feira (3) a votação da proposta que eleva os valores das refeições vendidas nos restaurantes universitários. Em meio à pressão de um grupo de estudantes e servidores contrários ao aumento, o reitor, Marcelo Knobel, defende o reajuste para equilíbrio nas contas da instituição e descarta acionar a Polícia Militar para acompanhamento da reunião. A entrada do prédio do Conselho da Unicamp, Consu, foi isolada.

Na semana passada, o Conselho Universitário (Consu) suspendeu as discussões sob alegação de falta de segurança, após integrantes do grupo entrarem sem permissão na reitoria. Dados obtidos pelo G1mostram como é a cobrança em outras universidades públicas no estado. Veja abaixo.

Segundo a Unicamp, a proposta é para que alunos não carentes, que pagam R$ 2, passem a desembolsar R$ 4. Já funcionários que recebem salários superiores a R$ 5 mil devem arcar com variação que vai de R$ 7 para R$ 10. “As isenções que já existem serão mantidas, sobretudo para os cerca de 10% de alunos atendidos nos programas de permanência”, informa nota da instituição.

Em relação ao café da manhã, o plano prevê aumento de R$ 1 para R$ 2, informou a Unicamp.

 

“Temos que fazer uma reunião do Conselho Universitário que seja possível discutir, colocar as diferentes opiniões, pontos de vista, e que a gente decida realmente baseado em dados, e claro também a situação da universidade […] Que a gente possa tomar as decisões sem ameaças”, explica o reitor. O impasse é o primeiro desde que o físico ocupou o cargo, em abril.

Segundo ele, a universidade contará somente com a vigilância patrimonial nesta terça-feira. A expectativa da instituição é contabilizar 4 milhões de refeições servidas até dezembro.

“A gente tem simplesmente que garantir que aconteça a reunião e a integridade das pessoas, e naturalmente do patrimônio público”, ressalta ao descartar reforço na segurança.

 

Quanto custa?

A Unicamp defende que o reajuste é necessário para equilibrar as contas, diante da crise econômica. O déficit orçamentário para o atual exercício deve chegar a R$ 290 milhões.

Segundo a universidade, a despesa anual com os restaurantes gira em torno de R$ 42 milhões, enquanto o valor recebido é de R$ 6,3 milhões. O custo unitário da refeição é de R$ 12,42.

“A gente propôs essas mudanças pela urgência, para a gente realmente poder ter a tranquilidade do ano que vem ter os salários, o 13º tudo certinho. Nós temos, como administração, a obrigação ter essa preocupação, fazer propostas. E a comunidade, tem a obrigação de sugerir alternativas, discutir, dentro da maior normalidade”, destaca o reitor. A reunião deve começar às 9h.

 

Comparativo

Caso a cobrança de R$ 4 para alunos seja aprovada pelo Consu, a Unicamp terá o terceiro valor mais elevado entre as seis universidades públicas instaladas no estado de São Paulo.

À frente dela estão a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que cobra preço médio de R$ 4,36 dos estudantes (no campus de Rio Claro, por exemplo, alunos desembolsam R$ 5; funcionários R$ 7; e os professores R$ 10); e a Universidade Federal do ABC (UFABC), onde o valor chega a R$ 4,65.

Por outro lado, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) oferece gratuidade para bolsistas do Programa de Assistência Estudantil (PAE) e cobra R$ 1,80 dos demais alunos de graduação e pós. Os técnicos administrativos pagam R$ 2,20, e o preço é de R$ 2,70 para os docentes da instituição.

Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o valor fixado é de R$ 2,50 para alunos da graduação, e de R$ 3,50 para pós; enquanto outros usuários do serviço pagam de R$ 8,92 (Baixada Santista) a R$ 14,09 (Diadema, ABC paulista), conforme variação entre unidades. A assessoria da instituição não informou qual o número médio de refeições servidas anualmente até a publicação.

Já na Universidade de São Paulo (USP), os alunos pagam R$ 2 por refeição e R$ 0,50 pelo café da manhã. Para funcionários e visitantes credenciados, entretanto, o preço sobe para R$ 15.

“Boa parcela do custo tem relação com o preço da mão de obra. Os salários da universidade são bons comparados com o mercado e isso influencia final no custo da refeição, além da necessidade de atender diferentes especificidades, já que também tem os campi de Piracicaba, Limeira e as refeições do HC [Hospital de Clínicas]”, menciona Knobel ao falar do preço unitário na Unicamp.

Em nota publicada no site da Unicamp, a coordenadora geral, Teresa Atvars, alegou que a universidade não eleva o preço desde 1998, e lembra que o custo pelo menos dobrou desde 2005.

Prioridades

Um dos integrantes do Consu, o funcionário Iuriatan Muniz contesta a proposta e acredita que ela deva ser retirada de pauta. “A Unicamp é financiada com dinheiro da comunidade e servir refeição barata é uma garantia. Se baixasse o preço, ela ofereceria mais resultados para a população”, critica.

Outro item que deve ser debatido pelos conselheiros é a tabela de gratificação de representações. A universidade prevê economizar R$ 16 milhões em 2018, se aprovado corte linear de 30% nos valores não incorporados pagos para funcionários e pesquisadores. Muniz também é contrário à proposta e menciona que a universidade precisa discutir carreiras e pisos salariais antes dos cortes.

Fonte: G1

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