Equipe da PUC-Rio é punida após denúncias de racismo em jogos jurídicos

- Alexandre Pingo - - 5 de junho de 2018 | - 1:22 - - Home » Educação - - Sem Comentários

A Liga Jurídica Estadual do Rio de Janeiro puniu a Atlética de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio) depois de denúncias de racismo envolvendo alunos da faculdade de direito durante os Jogos Jurídicos Estaduais de 2018 ,em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. A polícia investiga o caso.

Os episódios

Segundo a liga, foram três os episódios denunciados envolvendo alunos que fariam parte da torcida da Pontifícia Universidade Católica do Rio.

No sábado (2), depois da partida futebol entre PUC-Rio e UCP, uma integrante da torcida da PUC teria jogado uma casca de banana na direção de um atleta negro da UCP.

No domingo (3), após a final do basquete masculino entre PUC-Rio e UERJ, integrantes da torcida da PUC-Rio imitaram macacos diante dos torcedores negros da UERJ e, mais tarde, torcedores da PUC-Rio, novamente, teriam chamado uma atleta de handebol da UFF de macaca.

O estudante de Direito da Uerj, Lucas Ferreira, de 22 anos, contou que presenciou o momento em que alunos da PUC teriam imitado macacos para ofender torcedores negros da Uerj e foi um dos que fez a denúncia à atlética da universidade.

“Estava na arquibancada entre as duas torcidas. Durante o jogo, a torcida da Uerj cantou ‘PUC racista’ mais de uma vez, em função do episódio da banana, no dia anterior. A torcida da PUC se direcionava para a saída, comemorando, quando dois integrantes da delegação começaram a imitar macacos, com gestos de bater no peito e sons de ‘uh uh uh’. Aí os denunciei para a atlética da Uerj”, disse Lucas.

G1 conversou também com a aluna de Direito da Uerj Brenda Uzeda, que presenciou um dos atos de racismo praticados por universitários da PUC-Rio. A universitária, que faz parte de outros movimentos como o Coletivo Negro Patrice no Lumumba e da Campanha Jogos Sem Racismo, disse que o clima na delegação “era de morte” após o ato.

“No final da partida, a torcida da PUC se encontrou com a torcida da Uerj na saída e um garoto fez um gesto e barulho de macaco em direção a torcida da UERJ. Os seguranças chegaram e tiraram a torcida da PUC do local. A torcida da Uerj começou a chamar a torcida da PUC de racista”, disse Brenda.

“Eu me senti constrangida, o clima da minha torcida era de morte, não tinha uma pessoa que não tivesse chorando. Fomos explicitamente atingidos. Para mim, não foi novidade. A PUC-Rio demonstrou nos Jogos Jurídicos um substrato de uma sociedade racista”, afirmou.

Uma aluna do 9º período do curso de direito da Uerj, que preferiu não se identificar, vai aos jogos desde 2013 e disse que houve uma melhora significativa nos cantos de torcida da PUC. A estudante, que fez um período do curso na universidade católica antes de ingressar na Uerj, também contou que se sentia incomodada com os cantos preconceituosos.

“A torcida da PUC melhorou muito. Até 2014, a PUC cantava músicas surrealmente racistas, eu me sentia muito desconfortável. Sendo que a atlética de direito da UERJ era chamada de Congo, navio negreiro, justamente porque foi a primeira a ter cotas e, consequentemente, mais pessoas negras na universidade. Foi assim que a torcida resolveu abraçar o termo e se autointitular assim mesmo”, contou a estudante de Direito, de 23 anos.

Punições

Segundo a Liga Jurídica Estadual, a PUC do Rio foi punida com a perda de pontos e acabou o perdendo o título de campeã da competição neste ano e a atlética da universidade não poderá participar dos Jogos Jurídicos Estaduais do Rio de Janeiro em 2019.

As investigações estão a cargo da 105ª Delegacia de Polícia, que busca informações que possam levar os agentes aos suspeitos de envolvimento nos casos de injúria racial.

Nas redes sociais, universidades fundadoras da Liga, responsável pelos Jogos Jurídicos Estaduais do Rio de Janeiro, publicaram uma nota da organização de repúdio aos casos de racismo e enumerando as punições aplicadas à PUC do Rio.

O movimento Jogos Sem Racismo, formado por estudantes negros de universidades do Rio, publicou uma nota na rede social, explicando os casos, repudiando as ações e cobrando medidas da LJE, que acatou as demandas do movimento com as punições à PUC do Rio.

PUC diz que comissão vai apurar casos de racismo; Universidades repudiam

A Vice-Reitoria para Assuntos Comunitários e o Departamento de Direito da PUC-Rio decidiram constituir Comissão Disciplinar para averiguação das informações e, caso confirmada a veracidade, a apuração e individualização das responsabilidades de membros do corpo discente.

“Não tergiversamos em combater qualquer forma de manifestação de racismo por meio de punições disciplinares e preservaremos o esforço de contínua melhoria das políticas de promoção da diversidade e da igualdade racial em nossa Universidade”, diz comunicado da universidade.

O diretor da faculdade de Direito da Uerj, Ricardo Lodi Ribeiro, que teria tido alunos vítimas das agressões racistas, afirmou que a instituição se colocou disponível aos alunos atacados e acredita que a Puc vai tomar as devidas providências diante dos fatos.

“No Estado Democrático de Direito não são mais admissíveis atos como estes, em especial vindo de estudantes de Direito … Conforta-nos verificar que diversos professores do Departamento de Direito da PUC-Rio já se manifestaram indignados pelos atos que … teriam sido praticados por alguns de seus alunos. Tal postura … nos dá ânimo para crer que a prestigiosa instituição, diante do seu inabalável compromisso com o Estado de Direito e com a inclusão social, saberá adotar todas as providências exigidas pela gravidade do episódio”, disse o presidente da faculdade.

Outra universidade que teria tuido alunos vítimas de injúria racial, a Universidade Católica de Petrópolis informou em nota que não participa da organização do evento e que nenhum aluno procurou a universidade para fazer reclamações sobre o assunto. “Ainda assim, a UCP repudia toda e qualquer forma de racismo, seja contra seus alunos ou qualquer pessoa”, informou a instituição.

*Estagiária sob a supervisão de Matheus Rodrigues

Fonte: G1

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