Espionagem após relacionamento e mais golpe do boleto: pacotão

- Alexandre Pingo - - 14 de janeiro de 2016 | - 2:43 - - Home » Tecnologia - - Sem Comentários

>>> Espionagem de ex-marido
Estou meio perdida, sem saber o que fazer. Eu pedi o fim do meu relacionamento em agosto…por desamor, desgaste, traição e inúmeros outros motivos que não vem ao caso. Comecei a fazer amizades em sites de relacionamentos e um e outro passava para conversar via WhatsApp. Só que as pessoas somem, fotos somem, vídeos somem… e somente desses novos amigos…

Em uma discussão, o ex-marido em questão ameaçou colocar conversas minhas no Facebook, ou seja, minhas suspeitas estavam certas… ele de alguma maneira conseguiu invadir minha privacidade…
Fui fazer um BO, mas o máximo de conselho é trocar de celular e chip… OK… MAS não está certo ele fazer isso.

Gostaria de saber se existe alguma maneira de desfazer essa invasão… Eu já verifiquei o WhatsApp Web….li que ele pode estar usando o número do MAC do celular, já restaurei a configuração de fábrica e sempre baixei aplicativos somente do Google Play.
Me deem uma luz para que possa retomar a minha privacidade e paz.
(A coluna decidiu ocultar o nome da leitora devido ao conteúdo da dúvida)

Prezada, faltou uma informação importante na sua pergunta: desde quando você tem esse aparelho?

Se você usava o mesmo aparelho quando estava com ele, ou se ele após a separação ainda teve algum contato “físico” com o aparelho, é muito mais fácil instalar programas de espionagem.

É até possível que o programa fique ativo ainda retornando o aparelho às configurações de fábrica, mas essa hipótese só é provável se ele realmente tem um conhecimento mais avançado.

Outra questão é das senhas. Como vocês tiveram um relacionamento, ele provavelmente sabe bastante sobre a sua vida. Por isso, senhas que se baseiam em qualquer coisa da sua vida são perigosas, porque é mais provável que ele as adivinhe. Se ele já espionava você antes do término e vocês usavam o mesmo computador, é possível que ele já tenha capturado suas senhas antes.

Por isso, o ideal é trocar as senhas e restaurar o celular aos padrões de fábrica. Se ele tinha acesso ao computador, reinstalar o sistema operacional e programas (formatar) também pode ser interessante. Se após essas duas medidas as suspeitas de espionagem continuarem, aí sim você pode pensar em trocar de aparelho.

Fora isso, não existe mágica. Não é fácil simplesmente “hackear” um celular ou mesmo um perfil de Facebook. A questão do WhatsApp também: não é tão simples para se obter mensagens enviadas a outros. Por isso, o mais provável é que ela tenha se aproveitado de alguma oportunidade anterior se ele hoje tem esse acesso.

>>> Golpe do boleto: imagem impede o golpe?
O leitor Alessandro Guimarães enviou um comentário sobre o ressarcimento de fraudes envolvendo pragas digitais que alteram a “linha digitada” do boleto:

Se os boletos fossem gerados em uma imagem, não teria como o vírus identificar a linha do código de barras e alterá-lo, portanto, há possibilidade sim, de o lojista ou o banco se precaverem desse tipo de vírus, inclusive minha ex-namorada ganhou uma causa na Justiça contra sua faculdade com base no artigo 14 do código de defesa do consumidor.
Alessandro Guimarães

Alessandro, é verdade que — até onde se sabe — as pragas digitais não identificam boletos em imagem. Mas isso não significa que isso é impossível. O vírus pode realizar um procedimento de reconhecimento óptico de caractere (OCR) e identificar quando um boleto está sendo visualizado.

Isso daria mais trabalho para os bandidos, mas não é uma barreira final, de maneira alguma. Inclusive, em alguns casos já estão sendo usados boletos em PDF por esse motivo.

Essa é uma situação muito comum na segurança. Às vezes, certas medidas podem dificultar uma fraude, mas não a evitar por completo. Às vezes essas medidas valem a pena. Noutras vezes, não. Ter um boleto em imagem também não impede um vírus de atuar diretamente no internet banking e alterar o código no momento do pagamento.

Se a Justiça decide que os bancos ou lojistas devem arcar com a fraude porque a lei assim define, isso não significa que as lojas ou bancos têm condições técnicas de impedir todas as fraudes, mesmo que adotem todos os mecanismos possíveis de segurança.

Segurança é sempre um “custo-benefício” e às vezes um custo de segurança pode até aumentar os prejuízos em vez de reduzi-los. Não estou dizendo que as lojas não devem adotar boletos em imagem, ou PDF ou o formato que seja, pois uma recomendação como essa requer uma avaliação cuidadosa do que está envolvido, mas nem toda medida de segurança necessariamente vale a pena. Ela pode até ser útil por algum tempo, mas nem sempre consegue resistir aos avanços dos ações criminosas.

As lojas também poderiam emitir boletos registrados, que tem um custo no momento da emissão (boletos comuns só têm custo quando são pagos). Isso significa que boletos não pagos teriam custo para as lojas – e, dependendo do volume de pedidos que não são pagos, isso poderia ser um prejuízo considerável. E quem certamente teria de cobrir esse custo é o consumidor, por meio de aumento de preço nos produtos ou mais carências em outros aspectos, como o atendimento. Novamente, a questão volta para o custo-benefício das medidas.

Se o consumidor for sempre ressarcido, independentemente de culpa, diminui-se o incentivo para se previnir de fraudes. Os custos tenderão a sempre aumentar e, no fim das contas, todo mundo vai ter que cobrir o rombo de quem se descuida. Já há decisões da Justiça, por exemplo, em que o consumidor vítima de fraude bancária não foi ressarcido porque ficou claro que não foram tomadas certas medidas de proteção.

O importante aqui é lembrar o seguinte: não é porque é possível obter um ressarcimento que se pode descuidar da segurança do computador.

Fonte: G1

Enium Soluções Digitais
Colégio Atena

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