Gravado em grampo, governo tem serviços que criptografam conversas

- Alexandre Pingo - - 28 de março de 2016 | - 2:46 - - Home » Tecnologia - - Sem Comentários

Apesar de a presidente Dilma Roussef e o ministro Jacques Wagner terem tido conversas gravadas em interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo de investigação da Operação Lava-Jato, e divulgadas depois que o juiz Sergio Moro retirou o sigilo, a administração pública federal dispõe de ferramentas de comunicação criptografada, desenvolvidas por Serviço de Processamento de Dados (Serpro) e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Serviços com esse recurso não impedem a interceptação das mensagens, mas, ao codificar o conteúdo delas, dificulta ao máximo a obtenção do teor dos textos. A Abin fornece três tecnologias, todas criadas por seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações (Cepesc). O Serpro possui dois serviços. O correio eletrônico Expresso envia e recebe e-mails mas também faz videochamadas. Todas essas comunicações, garante o Serpro, são criptografadas.

Apesar de a questão parecer muito técnica, a criptografia é disseminada e, mesmo que não saibam, muitas pessoas já carregam em seus smartphones serviços com essa tecnologia. O WhatsApp, um dos apps mais famosos do país, envia mensagens criptografadas.

Foi Edward Snowden, ex-analista da NSA, quem apontou o não uso de ferramentas criptografadas por parte do governo. Ele revelou o esquema de espionagem cibernética massiva dos Estados Unidos, que se estendia às ferramentas conectadas de grandes empresas de tecnologia. Entre os alvos do monitoramento norte-americano estava a presidente Dilma Rousseff, que apareceu em conversas com Lula que estava sendo gravada..

Going dark
“’Going dark’ é um conto de fadas: três anos após as manchetes de escuta de @dilmabr ela ainda está fazendo chamadas não criptografadas”, diz Snowden, em mensagem no Twitter acompanhada de uma colagem de manchetes da imprensa americana de setembro de 2013 e desta quinta-feira (17). O que Snowden talvez não saiba, no entanto, é que o governo tem à disposição algumas opções para fugir da vigilância.

Abin
O destaque da Abin é Athena Mensageria, um app criptografado chamado de “Whatsbin”. “A diferença entre o Athena e os aplicativos do mercado é o nível de segurança oferecido pelo software. O sistema utiliza layout e recursos semelhantes aos aplicativos comerciais, mas emprega tecnologia criptográfica nacional, segura, desenvolvida por órgão do Estado brasileiro, que garante ao usuário a confidencialidade das informações”, informa a Abin.

Há ainda o Telefone Seguro (TSG), um aparelho que, acoplado a terminais telefônicos, codifica tanto comunicações em dado como em voz. Como o dispositivo é portátil, pode ser levado usado remotamente.

Segundo a Abin, a criptografia só funciona se tanto o telefone emissor quanto o receptor estiverem conectados ao TSG. A partir daí, livra as ligações de grampos. “Uma vez habilitado o recurso de segurança em ambos os telefones, a comunicação de voz não é mais inteligível mesmo se for interceptada por terceiros”, afirma a agência.

Já o PCP tem o tamanho de um pen drive e, acoplado a PCs e notebooks, criptografa, armazena e envia documentos de forma segura. Só o destinatário da mensagem é capaz de decifrar o arquivo. Entre as funções do PCP, a Abin lista ainda a capacidade de destruir arquivos de forma que a recuperação de dados apagados.

“A relação de órgãos e instituições que utilizam as tecnologias desenvolvidas pela Abin é sigilosa e não pode ser informada”, informa a agência. Ainda assim, o órgão diz em seu site que “membros do governo utilizam o TSG”.

Serpro
O Serpro está desenvolvendo um aplicativo móvel para enviar mensagens de texto, áudios e vídeos. O Serpro informa que a ferramenta começará a ser vendida a partir de outubro.
As ferramentas acima são disponibilizadas por servidores federais, mas há opções à mão de qualquer um com um smartphone ou computador. Veja abaixo:

Telegram (Foto: Divulgação/Telegram)
Eleito o refúgio preferencial sempre que o funcionamento do WhatsApp é colocado em risco, o Telegram oferece recursos de criptografia e a opção “chats secretos”, que destrói as mensagens do aparelho e dos servidores do aplicativo após um período.

Protonmail (Foto: Divulgação/Protonmail)

Criado por cientistas do Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (Cern), o Protonmail é um serviço de e-mails anônimo e criptografado que roda em PCs, Android e iOS. As mensagens trocadas entre usuários são visíveis apenas para remetente e destinatário.

Pidgin (Foto: Divulgação/Pidgin)

Funcionando só em computadores, o Pidgin integra vários canais de mensagem como Google Talk, ICQ, WhatsApp, Facebook e Telegram. Ao acionar a função “off the record”, todas os envios de mensagem por esses apps é criptografada.

 

Linphone (Foto: Divulgação/Linphone)
O Linphone opera somente com ligações, que são todas criptografas. Como as chamadas são realizadas no padrão Protocolo de Iniciação de Sessão (SIP, na sigla em inglês), o app permite a criação de contas SIP, que podem ser usadas por qualquer serviço que use essa tecnologia.

Fonte: G1

Enium Soluções Digitais

Deixe seu comentário!

Para: Gravado em grampo, governo tem serviços que criptografam conversas

Deixe uma resposta