História olímpica: Sergipe teve atleta do hipismo nos Jogos de Roma em 60

- Alexandre Pingo - - 3 de maio de 2016 | - 3:46 - - Home » Esporte - - Sem Comentários

No Brasil, quando se fala em hipismo, o primeiro nome que vem à mente é o de Rodrigo Pessoa, ginete medalhista de ouro em Athenas 2004 e que pode se tornar este ano recordista brasileiro em participações nos Jogos, com sete no total. Mas antes dele, muitos outros cavaleiros desbravaram este caminho olímpico da modalidade para o país. Alguns pouco conhecidos do grande público. É o caso do sergipano Francisco Rabelo Leite, que disputou as Olimpíadas de Roma em 1960.

Ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, o coronel Francisco Rabelo Leite foi o patrono do Regimento de Polícia Montada de Brasília. Em 1979, quando nomeado pelo então presidente João Batista Figueiredo como comandante da PM, teve a ideia de criar o RPMon (que hoje leva o nome do cel. Francisco Rabelo Leite), mas o projeto só viria a sair do papel no ano seguinte, com a inauguração do Núcleo de Regimento da Cavalaria. Em 2011, a PM ergueu um monumento em memória dele, na Granja Modelo, Riacho Fundo I.

Na chegada da chama olímpica em Brasília, na manhã desta terça-feira, os condutores da tocha passaram em frente ao monumento e prestaram uma homenagem ao sergipano que fez história como militar e atleta olímpico.

– Inegavelmente é um grande simbolismo para o Exército, para a PM e principalmente para a família, que sempre admirou o Cel. Francismo Rabelo Leite como profissional e como atleta. Inclusive toda a família veio para Brasília presenciar esta homenagem, ver os atletas condutores da tocha passarem em frente ao monumento do Cel. Francisco Rabelo Leite, local onde estão depositados os restos mortais dele – disse o sobrinho de Chico Leite, Luduvice Rabelo.

Sergipano ganhou monumento em Brasília (Foto: Reprodução/Arquivo de família)

Sergipano ganhou monumento em Brasília (Foto: Reprodução/Arquivo de família)

Paixão por cavalos

Nascido em Riachuelo, no dia 10 de julho de 1931, Francisco Rabelo Leite demonstrou desde cedo uma grande aptidão para a montaria. Na fazenda do pai, surpreendeu os vaqueiros ao selar e montar os cavalos mais ariscos, dos quais todos evitavam chegar perto. Com sensibilidade e habilidade incomuns, em poucos minutos conseguia domar a fera e torná-lo um parceiro de cavalgada pelas estradas de terra.

Chico Leite foi um dos principais cavaleiros de seu tempo (Foto: Reprodução/Arquivo de família)

Chico Leite foi um dos principais cavaleiros de seu tempo (Foto: Reprodução/Arquivo de família)

Aos se mudar de Sergipe, fez carreira militar no Rio de Janeiro e em Brasília, onde estreitou ainda mais os laços com a montaria.

– É uma paixão que ele carrega desde a infância mesmo. Sempre teve amor por animais, por cavalos. E quando entrou no Exército, na Academia Militar das Agulhas Negras, optou por integrar a cavalaria. Em Brasília, quando foi nomeado comandante da PM, criou o Regimento de Cavalaria. Ele, sem sombra de dúvidas, está entre os principais cavaleiros do seu tempo, sempre representando o Brasil, através do Exército, em competições nacionais e internacionais – declarou Drº Luduvice.

No relato do coronel Torres, que elaborou um extenso material de pesquisa sobre o hipismo militar, Chico Leite tinha um talento acima da média para a montaria.

– Uma mistura muito bem equilibrada de organização, competência profissional, excepcional habilidade como cavaleiro, facilidade no trato e companheirismo. Foi comandante do esquadrão de cavalaria do Colégio Militar do Rio de Janeiro, do 11º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada de Brasília, do 1º Regimento de Cavalarias e Guardas e da Polícia Militar do Distrito Federal. Que Belo, Castigo, Pecado, Culpado, Afeto, Inocente, Sultão Sofisma, Segredo e Ouro Negro foram alguns dos cavalos com que nos brindou com percursos primorosos.

Sonho olímpico

A carreira de Francisco Rabelo Leite no hipismo teve como ponto alto a participação na prova de salto nos Jogos Olímpicos de Roma, na Itália, em 1960. A equipe era chefiada pelo coronel Elói Meneses e tinha ainda representando o país o major Renyldo Ferreira, o capitão Oscar Sotero e o capitão Fernando Monzon.

Na prova individual, o ginete sergipano somou 29 pontos e ¾ na primeira passagem, e acabou eliminado na segunda. E na prova por equipes o Brasil não conseguiu a classificação. Mesmo sem ter conquistado a medalha, a participação dele no maior evento esportivo do mundo é motivo de orgulho para toda a família. O cavaleiro era um dos mais importantes atletas brasileiros da modalidade. Cavalgou com Nelson Pessoa, pai de Rodrigo Pessoa, e colaborou com o desenvolvimento e popularização do hipismo no país.

Nos arquivos da família, uma foto é guardada com carinho especial. Na imagem, o coronel aparece desfilando com a delegação brasileira na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Roma. Francisco Rabelo Leite participou ainda de outras competições importantes do hipismo. Ele disputou os Jogos Pan-Americanos de Chicago, em 1959, conquistando a segunda colocação por equipe, e foi o sétimo colocado na classificação geral do Pan de São Paulo em 1963.

Equipe do exército na abertura dos Jogos Olímpicos de Roma (Foto: Reprodução/Arquivo de família)

Equipe do exército na abertura dos Jogos Olímpicos de Roma (Foto: Reprodução/Arquivo de família)

Bom no polo

Outra especialidade de Francisco Rabelo Leite foi a prática do polo, uma outra modalidade que se joga à cavalo. Inclusive, quando o príncipe Charles, do Reino Unido, esteve no Brasil em 1978, jogou uma partida de polo no mesmo time do cavaleiro sergipano. Se estivesse vivo, Chico Leite completaria em julho 85 anos. Ele faleceu no dia 1º de novembro de 1979, mas deixou seu nome gravado na história olímpica brasileira.

Fonte: Globo Esporte Sergipe 

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