Jovem com hidrocefalia zera redação do Enem 2015 e mãe aciona a Justiça

- Alexandre Pingo - - 14 de janeiro de 2016 | - 2:40 - - Home » Educação - - Sem Comentários

A mãe de um estudante que tem hidrocefalia entrou na Justiça nesta quinta-feira (14) para cobrar uma reavaliação na prova da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015. Luiz Felipe Alves Pereira, 20 anos, tirou nota zero na redação e foi desclassificado da disputa por uma vaga na universidade por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

A jornalista Mônica Nunes e o filho moram em Arapiraca, município do Agreste alagoano. Ela conta que viu o rascunho da prova de Luiz Felipe e que ele completou as 30 linhas.

“Ele fez a prova acompanhado de um transcritor, um ledor (um profissional que lê a prova para o candidato) e do fiscal de sala. Pelo que vi no rascunho, a mensagem que a redação pedia foi emitida”, observou.

Por meio de nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, informou que os participantes que necessitam de atendimento especial para a realização do exame fazem a solicitação no ato da inscrição. O Instituto comunicou que isso aconteceu no caso de Luiz Felipe e que ele foi atendido.

Sobre a correção da redação, o Inep disse que são adotados mecanismos diferenciados de avaliação, coerentes com a deficiência declarada. O Instituto informou que motivo da nota zero não está relacionado à deficiência e que a causa foi o não cumprimento a algum dos itens 14.9 do Edital do Enem 2015, que especifica os motivos de uma prova ser anulada.

Entre as possibilidades descritas no edital estão fuga ao tema, não apresentação do texto escrito na Folha de Redação, texto com até 7 linhas, que configurará “Texto insuficiente”, apresente impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, que desrespeite os direitos humanos ou que apresente parte do texto deliberadamente desconectada com o tema  proposto.

A mãe de Luiz Felipe garante que a redação dele, que este ano teve como tema “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, estava dentro do que foi pedido. “Ele diz [no texto da redação] que quem agride [a mulher] deve sofrer alguma penalidade. Mostrei para alguns professores e todos os que leram acharam que não dariam nota zero”.

“Vi a decepção do meu filho quando recebeu o resultado e isso foi muito triste. Ele sempre se esforçou muito e deseja cursar uma universidade. O MEC preconiza que todos tenham acesso a universidade e acho que o Enem deveria reavaliar a forma de exame de pessoas com limitação. O que quero é saber se a avaliação foi feita atendendo a esses critérios e ter uma resposta a dar ao meu filho sobre o porquê de não ter passado”, completou.

O Inep diz que os participantes que tiverem dúvidas devem entrar em contato com a Central de Atendimento pelo telefone 0800-616161 ou pelo Fale Conosco, cujo link está disponível no portal do instituto.

Fonte: G1

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