Jovem estuda durante quimio e vai a mundial de robótica: ‘Minha chance’

- Alexandre Pingo - - 30 de abril de 2016 | - 8:52 - - Home » Educação - - Sem Comentários

Quando o câncer maligno de linfoma foi diagnosticado em agosto de 2015, Gabriel de Oliveira Rodrigues, de 16 anos, pensou ter perdido a chance de participar das competições de robótica este ano ao lado dos amigos da equipe do Sesi de Boituva (SP). Porém, o adolescente contou, em entrevista ao G1, que “levantou a cabeça” e estudou mesmo com as sessões de cinco horas de quimioterapia. Segundo ele, foi difícil conciliar hospital e estudos, mas a vitória foi maior. A doença foi curada e a equipe conquistou no mês de março uma vaga para o Torneio Mundial de Robótica nas Ilhas Canárias, um arquipélago na Espanha. O grupo viajará neste domingo (1°) e as competições vão de 4 a 7 de maio.

“Era minha última chance de participar do mundial, porque o limite de idade para essas competições é de 16 anos. O que me motivou, durante o tempo em que estava fazendo quimioterapia e estudando, era pensar que eu poderia conhecer uma cultura nova, um país novo e também me preparar para o futuro nessa área que amo, que é a robótica. Meu sonho é no futuro estudar automação industrial na Universidade Federal do ABC (UFABC)”, revela.

Gabriel contou que o diagnóstico da doença foi em agosto de 2015, justo no começo da temporada de estudos para as competições deste ano. Ele sentiu fortes dores na região da virilha após um jogo de futebol e, após ir ao médico, descobriu que estava com câncer maligno de linfoma em fase inicial. Ele fez cirurgia para a retirada do tumor, mas precisou fazer quimioterapia até o mês de novembro do ano passado.

“Por sorte o câncer ainda estava no início. Foi muito complicado essa rotina de médicos, hospital e estudos. As sessões de quimioterapias aconteciam durante sete dias por mês e duravam cinco horas. Depois de receber os remédios injetáveis de manhã, no período da tarde eu ia pra escola para estudar e treinar junto com a equipe. Foi muito cansativo, mas não demonstrei para os meus amigos o cansaço, porque queria continuar nos treinos. E valeu a pena. Consegui me curar e ainda classificar junto com o grupo para o torneio mundial. Fiquei muito feliz quando soube que conseguimos nos classificar”, conta.

Equipe
Segundo Gabriel, este será o segundo ano que a equipe, chamada “Mega Snakes”, participará de uma competição internacional de robótica. A vaga foi conquistada após o grupo ficar pelo segundo ano consecutivo em terceiro lugar como melhor equipe do Brasil no Torneio Nacional de Robótica First Lego League (FLL). A etapa nacional aconteceu em março deste ano, em Brasília (DF), e contou com 77 times. Desses, apenas 15 obtiveram vagas.

Em 2015, os “Mega Snakes” foram à África do Sul e voltaram com três troféus em diferentes quesitos. No resultado geral, a equipe conseguiu a quinta colocação dentre os 40 times. “Ficamos muito felizes naquele mundial, pois ficamos com a melhor colocação em missões e trabalho em equipe, além de ficarmos em segundo lugar no quesito de robô”, ressalta o jovem.

Para o treinador da equipe de Boituva, Fábio Silva Lima, as classificações são resultado do empenho dos alunos e da preparação no dia a dia. “Implantamos aqui na escola uma clínica de robótica, que é como se fosse a base dos clubes de futebol, por exemplo. As crianças, desde os 7 anos, são incentivadas a aprenderem matemática e raciocínio lógico para quando chegarem aos 12 anos puderem substituir aqueles que não podem mais participar dos torneios”, explica.

Competição
Os “Mega Snakes” são compostos por oito alunos, seis meninos e duas garotas, entre 12 e 16 anos. Na competição, as equipes montam robôs autônomos para cumprirem missões e os objetivos mudam conforme o tema de cada ano. Em 2016, por exemplo, o tema é ‘Trash Trek’, ou seja, caminhos do lixo. O desafio dos competidores é criar robôs que façam o transporte de lixo de maneira mais eficaz.

Além do desafio de robôs, as equipes são avaliadas em mais três categorias, sendo projeto de pesquisa, semelhante a um projeto de iniciação científica com sugestão de solução do tema; design e programação do robô, sendo a parte técnica da construção do robô, e Core Values, que é o trabalho em equipe. “Estamos treinando bastante e acreditamos que vamos conseguir desempenhar um bom trabalho. Todo mundo está bem confiante de que iremos retornar com um prêmio. Eu estou bem feliz por poder conhecer a Espanha, que é um país europeu. Muito legal”, ressalta Gabriel.

Fonte: G1
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