Kroton e Estácio terão 23% do mercado, diz consultoria

- Alexandre Pingo - - 2 de julho de 2016 | - 11:34 - - Home » Educação - - Sem Comentários

A fusão anunciada entre Kroton e Estácio , líder e vice-líder no mercado de ensino superior no país, vai resultar em uma empresa com quase 1,6 milhão de universitários. O negócio divulgado nesta sexta-feira (1º) depende, entre outros pontos, da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Além da liderança no mercado interno, a fusão ainda vai consolidar a Kroton como a maior empresa educacional do mundo.

Caso o negócio seja aprovado, o novo grupo concentrará 23% do total de matrículas no ensino superior do país, de acordo com dados da CM Consultoria Educacional. A Universidade Paulista (Unip), que se tornaria a segunda colocada no ranking, responde por 6%, cerca de um quarto do que a Kroton representaria.

Marcas e presença regional
A Kroton tem operações de ensino presencial mais concentradas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, e é a responsável pelas marcas Anhanguera, Fama, LFG, Pitágoras, Unic, Uniderp, Unime e Unopar. Já a Estácio possui campi em todos os Estados do Nordeste e em alguns da região Norte, e opera no mercado basicamente com a marca Universidade Estácio de Sá.

A Kroton, que já era a maior empresa de educação superior privada do país, encerrou março com 1,01 milhão de alunos, enquanto a Estácio, segunda maior do setor, tinha base total de 588 mil estudantes. A Unip tinha cerca de 350 mil alunos.

Escala de aquisições
Em 2013, a Anhanguera Educacional já havia sido incorporada à Kroton em uma operação de cerca de R$ 5 bilhões. À época, as duas empresas estavam no topo do setor. Desta vez, a proposta aceita pelo Conselho de Administração da Estácio é avaliada em cerca de R$ 5,5 bilhões.

“Hoje a Kroton é a maior empresa educacional do mundo. Estamos falando de uma empresa que, dos 7,8 milhões de universitários do país, terá 1,6 milhão. Isso quer dizer que um em cada cinco estudantes [das 10 maiores companhias educacionais do Brasil] estariam na Kroton”, diz o presidente da CM Consultoria educacional, Carlos Monteiro.

Segundo levantamento feito pela consultoria, para fazer frente em volume de alunos à “nova” Kroton, as outras nove companhias do ranking teriam que se unir em um novo grupo.

Com a fusão, a empresa terá 1.585.600 milhão de alunos. Desses, 813.200 são de graduação presencial, 661.800 de graduação EAD, 46.800 de pós-graduação presencial e 63.800 de pós graduação EAD.

Maior valor de mercado
No ranking mundial, a Kroton é a empresa com maior valor de mercado entre os grupos educacionais. Com a fusão, valeria US$ 8,4 bilhão. A chinesa New Oriental, segunda colocada, tem valor de mercado de US$ 2,8 bilhão.

Segundo Monteiro, há sinergia no perfil educacional da Kroton e Estácio. “As duas insistem muito na tecnologia da educação e atendem um mercado de alunos de classe B e C”, diz. Além disso, de acordo com o presidente, a fusão contribuiria para atingir mais locais do país, uma vez que o foco da Kroton é o Centro-oeste e a região Sul, enquanto o da Estácio atinge o Centro-Oeste e o Nordeste.

Ele aposta que um dos pontos para a negociação entre as empresas seja o modelo de gestão da Kroton, “claramente superior” ao da Estácio.

“O modelo da Kroton é desenvolvido por uma equipe comandada por alguém que, antes de ser um homem de negócios, é um educador. Enquanto isso, a Estácio passou por uma série de mudanças desde que deixou de ser uma empresa familiar e não conseguiu um upgrade tão forte de crescimento”, diz.

Se aprovada, a fusão não deve causar nenhuma mudança para os alunos matriculados em faculdades das duas empresas, segundo o presidente. “Como a Estácio é uma marca forte, ela vai continuar a existir e a ter faculdades espalhadas pelo Brasil. Não seria uma boa política matar essas marcas agora. Pelo contrário, acho que vão se fortalecer”, afirma.

Os 10 maiores grupos educacionais após fusão

1- Kroton + Estácio: 1.370.668 (matrículas em 2014)

2- Unip: 354.316 (matrículas em 2014)

3- Laureate International Universities: 251.298 (matrículas em 2014)

4- PUC’: 171.288 (matrículas em 2014)

5- Uninove: 142.579 (matrículas em 2014)

6- Uninter: 116.167 (matrículas em 2014)

7- Treviso: 105.498 (matrículas em 2014)

8- Ser Educacional: 105.469 (matrículas em 2014)

9- Uniesp: 86.754 (matrículas em 2014)

10- Anima Educação- 83.059 (matrículas em 2014)

Setor privado x setor público
Segundo o Censo da Educação Superior 2014, que traz dados mais recentes do setor, 87,4% das instituições de educação superior eram privadas, e somente 12,6% públicas. Não à toa, as instituições particulares concentravam 74,9% do total das matrículas (5.867.011) de graduação. A rede pública reunia 25,1% (1.961.002) das matrículas.

Já em 2014, as matrículas de graduação da rede privada alcançaram a maior participação percentual (74,9%) dos últimos anos.

No mesmo ano, foram registradas 1.341.842 matrículas em cursos de graduação à distância. O aumento foi de 13,6% em relação ao ano anterior. Do total de matrículas nesta modalidade, 89,6% foram registradas na rede privada de ensino.

A proposta de fusão
A oferta da Kroton que foi aceita pelo Conselho de Administração da Estácio envolve relação de troca de 1,281 ação de sua emissão por cada papel da Estácio e também distribuição de dividendos (parcelas de lucro) aos acionistas da Estácio de R$ 170 milhões, o que representa cerca de R$ 0,55 por papel da companhia. A ação da Kroton encerrou na véspera cotada a R$ 13,60.

A Estácio informou ainda que seu Conselho vai se reunir em 8 de julho para avaliar todas as condições da proposta da Kroton, antes de convocar assembleia de acionistas da companhia. A conclusão da fusão entre Kroton e Estácio depende tanto da aprovação dos acionistas de ambas as empresas como também do aval das autoridades regulatórias.

Disputa com Ser Educacional A nova oferta da Kroton veio pouco depois da rival de menor porte Ser Educacional ter elevado sua proposta na quarta-feira (27) para pagamento de R$ 1 bilhão em dividendos extraordinários aos acionistas da Estácio, ante oferta anterior de distribuição de R$ 590 milhões, e ter dado como prazo para ela o dia de 8 de julho.

Fusão é questionada
A fusão entre Kroton e Estácio foi questionada por entidades do setor de educação , que veem risco de que o negócio possa criar um grupo com amplo poder de mercado e que concentra parcela significativa de fundos de incentivo à educação.

A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) entrou com uma medida no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra o interesse da Kroton em adquirir a Estácio, em meados de junho. A Ordem alega que a operação trará concentração econômica ilegal ao mercado, de mais de 30%, diante de um limite estabelecido pelo Cade de 20%.

Fonte: G1

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