Na Fuvest 2018, professores elegem matemática, português e história como as provas mais difíceis

- Alexandre Pingo - - 27 de novembro de 2017 | - 11:07 - - Home » Esporte - - Sem Comentários

Repetindo o mesmo formato do ano passado, com textos longos e enunciados complexos e exigentes, a primeira fase da Fuvest 2018 foi tão trabalhosa como na edição anterior. Segundo a maior parte dos professores ouvidos pelo G1, as questões mais difíceis foram de matemática, português e história.

Marcelo Dias, coordenador do Curso Etapa, disse que, “assim como nos últimos cinco anos, quatro matérias chamaram atenção em termos de dificuldade: português, geografia, história e matemática”.

“A prova da primeira fase da Fuvest foi bem exigente e com um grau de dificuldade um pouco maior se considerarmos os enunciados das questões de física e química (enunciados longos, que evidenciavam a preocupação das bancas com a contextualização dos temas abordados)”, explicou Celio Tasinafo, coordenador pedagógico da Oficina do Estudante. “Por outro lado, e equilibrando as questões de química, física e matemática (esta última sempre trabalhosa em provas da Fuvest), tivemos questões mais fáceis de linguagens que anos anteriores (utilização dos textos maiores para que os candidatos respondessem a 2 ou 3 questões).”

Já Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, a Fuvest 2018 “foi um pouquinho mais fácil do que o ano passado” em todas as disciplinas.

Física, por exemplo, dá até para falar que foi a prova mais fácil de hoje. Ela não foi excessivamente fácil, não é que você acerta todas facilmente. Teve umas duas questões difíceis, a maioria mediana. Mas, comparando com a matemática, que foi excessivamente difícil, foi a mais fácil.” – Vera Lúcia da Costa Antunes (Objetivo)

Ela afirmou que a Fuvest voltou a usar as questões “assertivas”, que oferecem entre três e cinco afirmações e, nas alternativas, exigem que os alunos saibam quais são verdadeiras e quais são falsas. “Esse tipo de questão torna a prova mais difícil, porque ou você sabe ou não sabe, e isso dificulta as questões.” Neste ano, mais de dez questões usaram esse estilo de enunciado.

“No geral, foi um exame padrão Fuvest: contextualizado, atualizado e moderno, que cumpre o seu papel para selecionar os melhores alunos para a segunda fase”, resumiu Paulo Moraes, diretor de ensino do Anglo.

Para Vinicius de Carvalho Haidar, coordenador do Curso Poliedro, o nível alto de dificuldade da Fuvest 2017 se manteve na edição 2018.

“Está muito mais próxima do mesmo nível, porque tiveram algumas matérias cobrando coisas um pouco mais específicas e algumas variações.” – Vinicius de Carvalho Haidar (Poliedro)

Ele citou como exemplo mudanças na prova de matemática, que teve mais questões de funções, e menos de geometria espacial, o que “pego de surpresa alguns alunos não tão bem preparados”.

 

Notas de corte

Segundo Tasinafo, da Oficina do Estudante, ainda é cedo para emitir uma opinião abalizada sobre as notas de corte. “Ainda que tenhamos menos vagas, não houve uma mudança radical no padrão de convocação para a segunda fase (serão convocados 3 candidatos para cada vaga oferecida)”, explicou ele.

“O que determinará uma mudança significativa nas notas de corte será o desempenho geral dos estudantes, o qual em pontos totais não deve sofrer mudanças (as questões eventualmente mais difíceis de química e física podem ser contrabalançadas pelas questões mais fáceis de linguagens).”

Paulo Moraes, do Anglo, concorda. “A prova da Fuvest não destoou muito do ano passado no que diz respeito à dificuldade em âmbito geral. Não é possível prever se ficará mais alta ou baixa“, disse ele.

Vinicius Haidar, do Poliedro, concorda que o nível da prova não foi tão diferente. Segundo ele, a variação da nota de corte depende, além do nível da prova, do nível de preparação dos candidatos. Sobre o fato de a diminuição no número de vagas levar a um aumento da nota de corte, ele diz que isso vai ser novidade apenas para algumas carreiras, como para a carreira de medicina. “Isso diminui a quantidade de vagas, foi o que numericamente fez a concorrência de candidatos por vaga aumentar”, explicou ele. Mas não é possível prever se essa mudança vai aumentar a nota mínima para passar para a segunda fase. A Fuvest vai divulgar esse resultado no dia 18 de dezembro.

Ciências exatas e biológicas

  • Matemática

Segundo Vera Lúcia, a prova mais difícil do dia, tanto segundo os alunos quanto segundo a coordenação do Objetivo, foi matemática. “Não é que ela tenha sido impossível”, explicou ela.

Você não tem só questão difícil, tem questões fáceis, médias e difíceis. Só que ela exigiu realmente os conceitos dos alunos. É uma prova que exigiu um aluno bem preparado.

De acordo com Gabriel Ferreira, professor de matemática do Poliedro, a prova teve algumas questões de nível alto, mas a maioria delas foi de nível médio para baixo, o que fez com que a prova de matemática se mantivesse no mesmo nível que a da Fuvest do ano passado. Ele mencionou três questões que exigiram muitos cálculos. “O candidato pode se perder na resolução das contas, ou perder muito tempo para resolver”, explicou ele.

Marcelo Dias, coordenador do Curso Etapa, disse que os alunos encontraram uma prova de matemática bem trabalhosa.

“Prova exigente, clássica, cobrança de temas bem conceituais e que exigiu um forte controle de tempo do candidato.”

  • Física

Em física, ele afirmou que a prova também teve questões clássicas e foi “focada nos principais conteúdos da disciplina”.

“A prova teve questões de nível baixo, várias de nível médio e duas de nível alto. As de nível alto, demandaram vários cálculos tornando-as mais trabalhosas”, explicou Eduardo de Mello Lessi, professor de física do Curso Poliedro. “Foi um pouco mais fácil no sentido de interpretação de texto. Foi mais objetiva.”

  • Química

Celio Tasinafo afirmou que a Fuvest ficou mais semelhante ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em duas disciplinas: “As questões de física e química, mais contextualizadas que em anos anteriores, apresentaram uma proximidade maior com relação ao Enem. Por outro lado, não observamos a mesma contextualização do Enem nas questões de matemática e biologia.”

  • Biologia

As questões de biologia, segundo Marcelo Dias, foram bem conceituais, mas o nível de exigência foi “mais básico do que das outras disciplinas”.

Ciências humanas

“A prova de humanas está mais difícil, com destaque para história, que cobrou questões relacionadas ao Império Inca e exigiu um conhecimento histórico sobre o Peru”, afirmou Paulo Moraes, do Anglo.

  • Português

Marcelo Dias ressaltou que a prova de português foi longa, e respondeu por 17 das 90 questões da primeira fase. Ele destacou o peso das leituras obrigatórias, e disse que a resolução delas “dependia da leitura atenta dos textos e das obras”.

“Todas as obras literárias obrigatórias foram exploraras, exceto Iracema. Não houve, em linhas gerais, um favorecimento a um ou outro livro”, disse Tasinafo.

Dias, do Etapa, disse que a prova de história exigiu uma leitura atenta dos textos, e teve presença maior de história contemporânea. “Não teve Brasil República”, ressaltou ele, destacando ainda uma questão sobre história da ciência.

Para Geovana Jacob Veronese, que dá aulas de português no Poliedro, a prova teve nível médio, igual à da Fuvest do ano passado. Em comparação com o Enem, ela diz que a Fuvest é “mais clean”: “O Enem tem muito texto, um para cada questão, tornando a prova mais cansativa. A prova da Fuvest é um texto para três questões e isso facilita para o aluno. Ela fica mais leve, mais rápida e objetiva.”

  • História

Vera Lúcia, do Objetivo, disse que história foi considerada a terceira prova mais difícil. “Ela exige a cultura dos alunos. Exigiu os conceitos básicos, realmente não pode ser bitolado, não é aquela história clássica. Era o aluno raciocinar, colocar o conhecimento cultural e humanístico na prova”, explicou a professora, que elogiou a sofisticação dos textos e enunciados.

Daniel Pereira Leite Palenewen, professor de história do Poliedro, disse que a Fuvest 2018 foi um pouco mais difícil que a edição anterior. Ele considerou o nível de dificuldade das questões de médio para alto, “pois algumas questões apresentavam a a necessidade de o aluno trazer conhecimento de fora”.

  • Geografia

Ela também destacou as “questões modernas” de geografia, que servem para ver se o aluno realmente domina a geografia. “Não pede aquela decoreba, é para o aluno raciocinar. Teve uma questão do G20, você vê claramente que o aluno tem que saber aquilo ali, estamos vivendo isso agora.” Segundo ela, a prova teve nível médio de dificuldade e um bom equilíbrio dos conceitos de geografia física, humana e econômica.

  • Atualidades

Comparando a Fuvest com a primeira fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), “a Fuvest não primou por ênfase em temas atuais”, disse Tasinafo. “Exceto pela questão sobre a política externa do governo Trump e a saída dos EUA do acordo climático COP 21.”

Entre as questões que trouxeram conhecimentos atuais, Moraes, do Anglo, destacou a questão 54 da prova V, que “girou em torno de dados de movimentação de algumas das principais empresas e ferramentas de internet como Uber, YouTube, Google e Spotfy”. Já a prova de inglês, segundo ele aplicou um texto da revista “The Economist” e outro do jornal “New York Times”. “Interessante notar que, neste ano, não foi observada nenhuma questão com conteúdo interdisciplinar.”

Já Marcelo Dias, do Etapa, afirmou que a prova de geografia foi a “mais trabalhosa” dos últimos cinco anos. Segundo ele, houve bastante cobrança de atualidades, como o Tratado de Paris, e “uma questão inovadora sobre lixo nos oceanos”.

Fabio Gheti César Júnior, professor de geografia do Poliedro, disse que as questões tiveram nível médio. “Em relação ao vestibular do ano passado, ela foi menos exigente. A prova não foi fácil, mas o aluno sofreu menos esse ano”, disse ele, que também destacou a questão sobre o acordo de Paris, e a que citou redes sociais como o Twitter e o Instagram, e aplicativos como o Uber.

Fonte: G1

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