Novo comandante do Sergipe tem Tite como maior referência atualmente

- Alexandre Pingo - - 17 de junho de 2016 | - 3:49 - - Home » Esporte - - Sem Comentários

Ele é gaúcho, tem 45 anos, já foi jogador de futebol e os títulos conquistados mostram a qualidade em campo. Ele foi várias vezes campeão vestindo a camisa do Grêmio. Conquistou o campeonato gaúcho por quatro vezes (1990, 1993, 1995 e 1996), o Brasileiro em 1996, a Libertadores em 1995, a Recopa Sul-Americana no ano seguinte e duas Copas do Brasil (1994 e 1997). O hoje ex-zagueiro ainda levantou a taça do Brasileiro de 1999 pelo Corinthians. Fechando essa fase dentro das quatro linhas, atuou também pelos seguintes times: Mamoré, Fluminense e Standard Liege da Bélgica. Afinal, quem é ele mesmo?

Ele é Luciano Williames Dias ou simplesmente Luciano Dias. O treinador foi contratado logo após a saída de Clemer do Sergipe para buscar o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro. Nesta função, ele já tem um currículo recheado. Começou como técnico em 2004 e de lá pra cá já comandou diversas equipes como Corinthians-AL, Botafogo-SP, Guarani, São Bernardo, Cuiabá, Oeste e Penapolense. No final de 2014 ele foi apresentado como coordenador da base do Grêmio e este ano treinou o Santo André.

Luciano Dias, técnico, Sergipe (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)

Luciano Dias, técnico, Sergipe (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)

Luciano é um especialista em acessos. Foram cinco até agora: Em 2007, com o Rio Preto; Em 2008, levou o Botafogo-SP à Série A1 do Paulistão e conseguiu subir o Guarani para a Série B do Brasileirão; Em 2010, alcançou o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista com o Noroeste; E, mais recentemente, subiu o São Bernardo para a primeira divisão do mesmo torneio. Quer conhecer um pouco mais do novo comandante do Sergipe? O GloboEsporte.com fez uma entrevista especial com o novato no futebol sergipano. Confira abaixo na íntegra o bate-papo.

Quais as primeiras impressões ao chegar no estado e, em especial, ao clube?
– Foram positivas pela recepção por parte da direção e torcedores e ficamos satisfeitos com esta chegada. Estamos conhecendo aos poucos a rotina do clube, a cidade e fiquei impressionado com beleza de Aracaju. Agora é focar no trabalho, estamos aqui para desenvolver um trabalho que leve o Sergipe para o Campeonato Brasileiro da Série C ano que vem.

Quem é o Luciano Dias?
– Sou uma pessoa tranquila. Gosto bastante do diálogo, de conversar, mas eu também gosto de um trabalho sério. Somos profissionais e preciso exigir o máximo de cada atleta. Eu cobro de mim mesmo, sendo procuro ter uma autoavaliação, buscando me atualizar pra sempre melhorar o trabalho. No dia a dia a gente sempre cobra profissionalismo do atleta para ter condições de ter alto desempenho nas partidas. No jogo eu sou participativo, gosto de falar com a minha equipe, não fico só observando, sempre no intuito de incentivar e alertar para ter boa performance em todas as partidas.

Luciano Dias, técnico, Sergipe (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)

Luciano Dias ao lado do preparador físico e do auxiliar técnico (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)

O que traz da sua vida como jogador para o trabalho como técnico?

– Tem vários aspectos. Temos uma certa experiência, vivenciamos como atleta em conquistas importantes, trabalhos em grandes clubes, com grandes profissionais, então tu procura passar aquilo que aprendeu. Tem o aspecto do posicionamento, o trabalho no campo, uma orientação. Pegar um pouco de cada situação para desenvolver nosso próprio trabalho. Quando tu é atleta, tu tem a visão micro de uma situação do teu setor em campo, e como treinador a visão é completamente diferente, a tua análise é bem mais ampla em relação a estas situações do dia a dia, do atleta em cada posição, do setor defensivo, de criação, e ofensivo, da equipe como um todo

Tem algum ou alguns treinador como referência?

Tite em entrevista (Foto: Rodrigo Gazzanel / Ag. Estado)

Tite é uma das referências de Luciano Dias (Foto: Rodrigo Gazzanel / Ag. Estado)

– Cada um tem sua característica. Cada um cria a sua filosofia de trabalho. Nós que somos profissionais do futebol trabalhamos dessa forma. Claro que com algumas influências. Trabalhei três anos com o Felipão, que é um grande campeão, um grande vencedor, que com certeza deixou muita coisa boa marcada nesse tempo no qual trabalhei com ele. Ele é uma cara que gosta de ter sempre uma equipe organizada, sabe trabalhar bem e valorizar o grupo de trabalho. Isso é algo que valorizo também, acho que é muito importante dar atenção a todos, não apenas aos 11 titulares. Então, aprendi muito isso com o Felipão. E dos atuais a maior referência é o Tite, que estava no Corinthians. Ele vem realizando grandes trabalhos e em uma regularidade muito grande. Quando você parava para ver o Corinthians jogando, você via claramente o modelo de jogo do Tite, então no futebol atual ele é uma referência para mim.

O que falta no futebol brasileiro para voltar a ter mesma força de antes?
– O torcedor brasileiro é muito crítico e temos uma cultura de só valorizar as conquistas. Claro que as conquistas devem ser valorizadas, mas não é só isso. O trabalho que está sendo realizado deve ser analisado e valorizado também. A busca por conhecimento tem que ser contínua, por exemplo, ir para outros países em busca de novidades. Eu acredito que nosso futebol precisa melhorar muito em muitos pontos antes de chegar no aspecto tático. As melhores devem, em minha opinião, começar nas categorias de base. Precisamos valorizar o coletivo ainda nas categorias de base e não apenas premiar aquele jovem que se destaca, que é talentoso, quem tem o dom de jogar futebol. Hoje, as equipes já querem buscar um “jogador pronto” e não é assim que funciona, a gente vê pela Europa, eles evoluíram muito nesse ponto. Eles não têm o número de talentos que nós temos, mas o futebol deles hoje é uma referência para nós. Então nós temos que entender isso, que futebol começa nas categorias de base, devemos mostrar aos jogadores jovens a importância de cada um deles na equipe. Acho que esse é o primeiro passo. A partir daí avançaríamos, contando também o apoio da própria CBF, que até já começou a criar alguns cursos, porém ainda é muito pouco e limitado à poucas pessoas. O Brasil precisa ampliar as possibilidades de profissionalização dos técnicos de futebol. Para que todos tenham mais condições de se especializar com cursos, clínicas, com pessoas do exterior ou mesmo com grandes treinadores brasileiros. Tudo isso ajudará a mudar nossa mentalidade.

Luciano Dias grêmio coordenador da base (Foto: Rodrigo Fatturi/Divulgação Grêmio)

Luciano Dias já foi coordenador da base do Grêmio (Foto: Rodrigo Fatturi/Divulgação Grêmio)

Como você avalia o Dunga e a seleção brasileira?
– A função que ele exercia não era nada fácil. Nós estamos buscando conhecimentos na Europa porque lá eles têm feito uma valorização do trabalho coletivo, coisa que não há no Brasil de um modo geral. O trabalho de um treinador da seleção brasileira não é simples, por mais que eles venham da Europa, quando chegam aqui, a mentalidade, a cultura do torcedor, da imprensa, enfim, tudo isso influencia um pouco no desenvolvimento desse trabalho. Porque o treinador não está ali para desenvolver um trabalho a médio e longo prazo, e sendo algo imediato você dificilmente vai conseguir alcançar um trabalho ideal para o futuro da seleção . Então fica difícil tecer algum comentário, alguma crítica. Prefiro analisar de uma forma mais geral. Porque nós, como brasileiros, queremos sempre a seleção dentro de campo e ganhando de todo mundo. E eu acho que temos qualidade e potencial para isso, mas o treinador não consegue desenvolver um trabalho do jeito que está atualmente. Então precisamos refletir sobre isso: Nós queremos algo instantâneo ou um trabalho a médio e longo prazo? Todo mundo usa a Alemanha como exemplo, porque veio aqui e fez um 7 a 1, porém por que que isso aconteceu? O que a Alemanha fez nas três Copas do Mundo anteriores? A gente só vê o resultado final, o número, a vitória, sendo assim a mentalidade do brasileiro precisa mudar, precisamos de um projeto maior, para que tenhamos uma sequência maior e melhor para o técnico da seleção trabalhar e conseguir bons frutos.

Dunga, Philippe Coutinho, Guerreo, Brasil x Peru Copa América 2016 (Foto: AP)

Recentemente a seleção brasileira foi eliminada após perder para o Peru na Copa América Centenário (Foto: AP)

Como unir os pontos positivos do futebol nordestino com os do Sul e Sudeste?
– O futebol nordestino, para mim, é uma maneira diferente de se jogar. Aqui sempre temos jogadores com muita mobilidade, atletas velozes e é um futebol de muita transição. Talvez esse seja o grande detalhe de vir do Sul para trabalhar aqui. Porque lá a gente sempre trabalha mais a posse de bola, busca ter mais o controle do jogo e aqui usam mais a transição. Então a ideia é desenvolver nosso grupo sem tirar as características de cada atleta, o potencial deles, mas mostrar também para eles a importância de ter o controle de jogo. Sendo assim vamos buscar aliar as duas formas e passar para eles a consciência de jogar coletivamente, de ter uma organização tática, para que a equipe não dê muitos espaços ao adversário e acabe correndo riscos durante as competições.

Luciano Dias, técnico, Sergipe (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)

Luciano Dias, técnico do Sergipe (Foto: Osmar Rios / GloboEsporte.com)

Fonte: Globo Esporte Sergipe 
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