Vagas pelo Sisu e sistema de cotas devem aproximar Unicamp das metas de inclusão em 2019, diz Comvest

- Alexandre Pingo - - 4 de setembro de 2017 | - 10:22 - - Home » Educação - - Sem Comentários

Os novos formatos avaliados pela Unicamp para acesso aos cursos de graduação, em 2019, devem aproximar a universidade das metas de inclusão, segundo a comissão responsável por organizar o processo seletivo (Comvest). Entre elas estão ingresso de 50% dos alunos oriundos da rede pública – por curso e turno – e alcançar índice de 37,5% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas, segundo parâmetro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estado.

Na quinta-feira (31), o grupo de trabalho criado pelo Conselho Universitário (Consu) propôs, entre outras medidas, reservar 20% das vagas ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa como critério de análise a nota obtida pelo candidato no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem); garantir 15% das oportunidades aos contemplados pelas cotas étnico-raciais; reformular o Programa de Ação Afirmativa e Inclusiva (Paais), e a criação de um vestibular para povos indígenas.

“Estamos com proposta ambiciosa e a simulação indica que vamos chegar no primeiro momento a 31% de autodeclarados pretos e pardos. Haverá avaliação constante”, explica o coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto. O grupo de trabalho foi criado em maio.

As propostas, segundo ele, serão debatidas em faculdades e institutos nos campi de Campinas (SP), Piracicaba (SP) e Limeira (SP). Já a votação final da proposta está marcada para 21 de novembro.

“A minha expectativa é de que haja alguns ajustes. Foi um estudo exaustivo”, pondera Freitas Neto ao defender que haverá promoção da diversidade acadêmica e baixa na desigualdade do acesso.

De acordo com o coordenador, a distribuição de alunos oriundos da rede pública – por curso e turno – também deve ter maior equidade entre os cursos. “Nossa projeção é de 46%, hoje são 50% geral, mas haverá equilíbrio das notas”, falou ao lembrar que alguns cursos da Unicamp têm índice superior, mas outros contabilizam percentual abaixo do estabelecido como objetivo pela instituição.

“Não queremos apenas números, mas desempenho no sistema de avaliação. A universidade ganhará qualidade”, avalia o coordenador ao pontuar que o índice poderá ter pequena variação.

 
O campus da Unicamp, em Campinas (Foto: Unicamp)

O campus da Unicamp, em Campinas (Foto: Unicamp)

 

Propostas

De acordo com a Unicamp, 10% das vagas do Sisu devem ser destinadas aos estudantes oriundos de escolas públicas; 5% aos candidatos pretos e pardos procedentes de unidades da rede; enquanto outros 5% serão reservados exclusivamente para os estudantes pretos e pardos.

Sobre o Programa de Ação Afirmativa e Inclusiva (Paais) aplicado desde 2005, conta o coordenador, ele será reformulado e o bônus será somado à nota final do candidato em cada fase do vestibular da seguinte maneira: 40 pontos para estudantes que cursaram todo o ensino médio na rede pública, e 20 pontos para os que fizeram todo o ensino fundamental II em unidades públicas.

Para os estudantes que realizaram ensino fundamental II e ensino médio na rede pública, serão incorporados 60 pontos às notas das provas. Por outro lado, autodeclarados pretos, pardos e indígenas deixam de ser contemplados no Paais, diante da inclusão de novas formas de acesso.

Com isso, 65% das 3,3 mil vagas distribuídas entre 70 cursos de graduação passariam a ser preenchidas por ampla concorrência. As inscrições do Vestibular 2018 terminam nesta quinta-feira.

Vestibular indígena

Segundo a universidade, a criação de um vestibular indígena autônomo deve reservar pelo menos duas vagas. A proposta prevê realização de um exame descentralizado em pelo menos três capitais de diferentes regiões do país, e junto com outras universidades públicas do estado.

Os candidatos aprovados, explica Freitas Neto, seriam convocados após a primeira chamada do vestibular. “Eles devem preencher as vagas que não forem ocupadas. Nos últimos dez anos recebemos de sete a 17 estudantes autodeclarados indígenas matriculados por ano”, destaca. Segundo ele, o modelo da proposta é referenciado em seleções feitas pela UFSCar e a UnB.

Entre os cursos que devem integrar a lista, propõe o grupo de trabalho, estão medicina, ciências biológicas, farmácia, enfermagem, educação física, nutrição, ciências sociais, letras, linguística, pedagogia, geografia, história, filosofia, administração, comunicação social – midialogia e engenharia agrícola. De acordo com o coordenador da Comvest, a prova deve ter composição diferente.

“Não vai ter inglês, porque não tem sentido. A literatura, eles não estudam as mesmas obras no que aprendem sobre linguagem e alfabetização, talvez não tenha mesma relevância para uma sociedade marcada pela oralidade. Mas vai ter as mesmas áreas, ciências da natureza, ciências humanas, linguagens, matemática. A prova será em português”, destaca Freitas Neto.

 
O coordenador da Comvest, José Alves de Freitas Neto (Foto: Antonio Scarpinetti)

O coordenador da Comvest, José Alves de Freitas Neto (Foto: Antonio Scarpinetti)

 

Outra proposta da universidade é permitir o ingresso por vagas que serão designadas aos melhores classificados em olimpíadas, competições de conhecimento ou modalidades que demonstrem desempenho excepcional do estudante a critério de áreas específicas.

“Temos que fazer uma prospecção nas áreas sensíveis para produção de ciência e tecnologia. O país tem perdido alguns estudantes para universidades de outros países, é um mecanismo para tentar atrair mais talentos para a Unicamp, e consequentemente para o Brasil”, ressalta.

Fonte: G1

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