WhatsApp: Jornal admite erro em reportagem sobre falha de segurança no aplicativo

- Alexandre Pingo - - 30 de junho de 2017 | - 11:19 - - Home » Tecnologia - - Sem Comentários

O jornal britânico “The Guardian” admitiu que estava errado sobre a seriedade de uma falha de segurança no WhatsApp que foi alvo de reportagem em janeiro deste ano. Em coluna publicada na quarta-feira (28), o editor Paul Chadwick diz que o jornal não checou com especialistas suficientes a acusação de que o aplicativo possui uma suposta “porta dos fundos” que permite ler conversas dos usuários mesmo que as mensagens estejam criptografadas.

“Em uma revisão detalhada, encontrei interpretações equivocadas, erros e mal-entendidos ocorrendo em várias etapas do processo de reportagem e edição. Juntos, eles produziram um artigo que exagerava o caso”, afirma Chadwick.

De acordo com o editor da área mundial de leitores do jornal, a reportagem errou mais seriamente ao dizer que o WhatsApp tinha uma brecha “secreta e intencional” para que terceiros pudessem ler mensagens particulares.

A acusação foi removida da reportagem após poucas horas da publicação, mas o texto continuou com sugestões de que o aplicativo trazia “ameaças à liberdade, traição de confiança e benefícios a governos que espionam”.

Além da desinformação, o erro gerou críticas ao jornal e uma carta aberta assinada por dezenas de especialistas no assunto. Ela acusa o “The Guardian” de gerar uma preocupação exagerada sobre segurança no WhatsApp, o que poderia levar usuários comuns a soluções menos seguras.

Por outro lado, o artigo também poderia servir de argumento para governos autoritários contestarem o uso de mensagens criptografadas.

O que aconteceu então?

Chadwick conta que a reportagem surgiu a partir da seguinte constatação:

“Quando um usuário do WhatsApp está offline, toda mensagem enviada para ele nesse período é armazenada nos servidores do Facebook. Se o destinatário, ainda offline, registrar um novo dispositivo, qualquer mensagem que estiver esperando por ele nos servidores não poderá mais ser entregue porque elas estão criptografadas para o aparelho antigo. Para evitar que essas mensagens se percam, quando o destinatário voltar a ficar online, toda mensagem em trânsito é recriptografada com a chave do novo dispositivo e reenviada automaticamente”.

O problema, segundo os especialistas, é que o jornal exagerou nos riscos de um terceiro explorar a combinação de smartphone offline, mensagens em trânsito e mudança na chave de criptografia para interceptar mensagens.

O editor do “The Guardian” conversou com mais entendedores do assunto em sua revisão da reportagem e diz que eles foram unânimes em negar a existência de uma “porta do fundo” no WhatsApp.

“‘Vulnerabilidade’ é um termo contestado, aceito nesse contexto por alguns, mas não todos. Um chamou de ‘fraqueza’, outros de ‘troca’. Um especialista chamou o WhatsApp de ‘segurança excelente contra vigilância de massa e isso é valioso”.

Mesmo assim, Chadwick defende a permanência da reportagem no ar – com as devidas correções. “Como um dos especialistas notou, os servidores do Facebook são uma caixa preta. É impossível para estranhos verificarem exatamente o que acontece quando as mensagens passam por ali no caminho entre os usuários do WhatsApp. Confiança é necessária. E levando em conta o histórico do Facebook, o escrutínio de prontidão é o posicionamento correto”.

Fonte: G1

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